segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Resistência
Resistência Ativa...as classes,as gangues,bombas de gás,balas de borracha,as feministas,as donas de casa,aposentados e professores...Resistência Ativa...
sexta-feira, 28 de julho de 2017
19 Livros de Escritoras Brasileiras Negras
Escritoras negras são duplamente invisibilizadas pelo machismo e pelo racismo. Já passou da hora de conhecer algumas delas.
Já sabemos que mulheres são amplamente invisibilizadas na literatura. Mulheres negras, atingidas não só pelo machismo, como também pelo racismo, são duplamente invisibilizadas. Mas elas existem, e não é porque só em 2017 a Flip descobriu as suas obras, que elas são um fenômeno recente. Escritoras negras sempre produziram muito, e sempre tiveram presença significativa na literatura nacional. Aliás, foi uma mulher negra a primeira romancista brasileira: Maria Firmina dos Reis. Você leu as obras dela na escola?
Numa tentativa de remediar essas lacunas que fortalecem o racismo nosso de cada dia, criamos essa lista com 19 livros de autoras negras brasileiras.
Úrsula
Autora: Maria Firmina dos Reis
Sinopse: Publicado em 1859, é considerado o primeiro romance publicado por uma mulher no Brasil. É também o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, e também o primeiro romance da literatura afrobrasileira, isto é, uma obra produzida por uma autora afrodescendente. A história de amor ultrarromântico entre Úrsula e Tancredo tem como pano de fundo a temática do negro a partir de uma perspectiva comprometida em recuperar e narrar a condição do ser negro em nosso país.
Quarto de Despejo
Autora: Carolina Maria de Jesus
Sinopse: O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.
Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos
Autora: Ana Paula Maia
Sinopse: Com dois romances publicados, a carioca Ana Paula Maia se firmou como uma das mais festejadas autoras da nova literatura brasileira e chamou a atenção de críticos e formadores de opinião ao publicar, em 2006, uma novela folhetinesca na Internet. Durante meses, os leitores acompanharam pela web os 12 capítulos de Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos. que chega agora às livrarias com novo final. É o primeiro livro publicado originalmente na internet a ser lançado por uma grande editora. Com muito sangue, violência e boa literatura, Ana Paula Maia lança o olhar ao outro, com profundos traços de ousadia e peculiaridade, para esmiuçar o cotidiano de homens que lutam para sobreviver em meio à pobreza e a falta de esperança em uma vida melhor. Entre Rinha de Cachorros e Porcos Abatidos contém duas novelas, que junto com o volume Carvão Animal compõem a trilogia A Saga dos Brutos.
Carvão Animal
Carvão Animal
Autora: Ana Paula Maia
Sinopse: Terceira parte da trilogia A saga dos Brutos, iniciada com as novelas Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos e O Trabalho Sujo dos Outros. Com muito sangue, violência e estilo, Ana Paula Maia lança o olhar ao outro, e extrai, de cada um, sua qualidade mais humana. E assim subverte qualquer atitude condenável em feito redentor. Mas não há luz nesse heroísmo. Também não há trevas. É um momento repleto de cinzas, de um tom intermediário, suspenso no tempo. Uma atmosfera claustrofóbica, que envolve e hipnotiza o leitor.
Um Defeito de Cor
Autora: Ana Maria Gonçalves
Sinopse: Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro, o livro é narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página.
A Cor da Ternura
Autora: Geni Guimarães
Sinopse: Ser pobre e negra trouxe para Geni muitos conflitos interiores. Já adulta, continuou enfrentando barreiras impostas pela sua cor. Para vencê-las, traçou uma meta de vida e chegou lá! Lutou e continua lutando com armas poderosas que adquiriu durante sua vida: amor, carinho, afeto… O mundo seria melhor se os homens deixassem, assim como Geni, que essas poderosas armas brotassem em seus corações?
Heroínas Negras Brasileiras
Autora: Jarid Arraes
Sinopse: Desde 2012, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a história das mulheres negras que fizeram a História do Brasil. E não bastava conhecer essas histórias, era preciso torná-las acessíveis e fazer com que suas vozes fossem ouvidas. Para isso, Jarid usou a linguagem poética tipicamente brasileira da literatura de cordel. E vendeu milhares de seus cordéis pelo Brasil, alertando para a importância da multiplicidade de vozes e oferecendo exemplos de diversidade para as mulheres atuais. Neste livro, reunimos 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora e a beleza das ilustrações de Gabriela Pires, e um prefácio da pesquisadora Jaqueline Gomes de Jesus. Conheça a história de: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba.
Sobre-viventes!
Autora: Cidinha da Silva
Sinopse: Este é um livro de crônicas contundentes sobre pessoas que muitas vezes são tornadas invisíveis ao olhar de uma sociedade racista e preconceituosa. Situações cotidianas colocadas em nossa cara como retrato feio de nós mesmos. Os sobreviventes combatem as dificuldades todos os dias. Precisamos falar destes viventes.
Mulher Mat(r)iz
Autora: Miriam Alves
Sinopse: Coletânea de trabalhos publicados ao longo de 23 anos de vida literária sobre o universo da mulher afro-brasileira em suas várias possibilidades vivencial-afetivas.
Só as Mulheres Sangram
Autora: Lia Vieira
Sinopse: Os contos de Só as Mulheres Sangram, de Lia Vieira, procuram revelar diversos aspectos do cotidiano dos negros, em especial o cotidiano das mulheres. Ambientados em diversos espaços, os contos traçam um panorama abrangente dessas experiências negras excluídas do cânone literário brasileiro, apresentando paradigmas ainda não assimilados pela crítica literária tradicional.
Olhos D’Água
Autora: Conceição Evaristo
Sinopse: Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida?Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a condição humana.
As Lendas de Dandara
Autora: Jarid Arraes
Sinopse: As Lendas de Dandara é um livro que mistura ficção, história e um toque de fantasia, onde são narrados dez contos sobre a guerreira quilombola Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi dos Palmares. Embora seja voltado para o público adulto e adolescente, As Lendas de Dandara oferece um material inédito para os jovens e pode ser lido para crianças com a mediação de um adulto responsável, por tratar de temas de violência como o tráfico humano e a escravidão.
O Tapete Voador
Autora: Cristiane Sobral
Sinopse: Coletânea de contos, O Tapete Voador é o quarto livro da atriz, escritora e poeta Cristiane Sobral. Neste livro, a autora apresenta 19 narrativas que abordam de forma inventiva e contundente diversos aspectos sobra a questão racial no Brasil, incluindo racismo, empoderamento e colorismo – apontando para a construção de uma identidade negra contemporânea.
Não Vou mais lavar os pratos
Autora: Cristiane Sobral
Sinopse: Não vou mais lavar os pratos reúne 123 poemas fortemente ligados ao cotidiano, abordando diversos temas como: maternidade, gravidez imaginária, filho desejado, memórias da infância e da mocidade, relações familiares, imagens de uma África longínqua e ancestral, e a situação atual da mulher negra.
Ponciá Vicêncio
Autora: Conceição Evaristo
Sinopse: A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.
Águas da Cabaça
Autora: Elizandra Souza
Sinopse: “E é nessa cabaça que ela traz sonhos, esperanças e água/vida. Água essa que limpa e leva tudo que não for bom embora. A água que rompe barragens, faz nascer rios, corre para o mar e vira imensidão, o imensurável”. Assim diz Mel Adún em um trecho do prefácio da obra, que ao longo das mais de 130 páginas, faz o leitor deparar-se com a alma pulsante da poesia negra e encanta-se com o concretismo de algumas poesias e com a graça das ilustrações em sincronismo com as letras. Com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto, a obra faz parte do projeto ‘Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação’ e reúne sete mulheres negras em diferentes protagonismos.
Os Nove Pentes D’África
Autora: Cidinha da Silva
Sinopse: Em Os nove pentes d’África, estreia de Cidinha da Silva na cena literária juvenil, tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e dos rituais cotidianos da narrativa.
Por Elise
Autora: Grace Passô
Sinopse: Uma dona de casa que fala sobre a vida dos seus vizinhos. Um cachorro que late palavras. Uma mulher perdida E um lixeiro em busca de seu pai. Esses são alguns dos personagens da peça Por Elise, escrito e dirigido por Grace Passô juntamente com o grupo Espanca!. Umas das primeiras peças da autora mineira, a obra lhe rendeu o APCA e o SESC/SATED de melhor dramaturga e, em 2005, o Prêmio Shell de melhor texto em 2006. No formato livro, o leitor pode acompanhar um olhar muito particular sobre as relações humanas e as contradições que a conduzem.
Quando me Descobri Negra
Autora: Bianca Santana
Sinopse: “Tenho 30 anos, mas sou negra há dez. Antes, era morena.” É com essa afirmação que Bianca Santana inicia uma série de relatos sobre experiências pessoais ou ouvidas de outras mulheres e homens negros. Com uma escrita ágil e visceral, denuncia com lucidez – e sem as armadilhas do discurso do ódio – nosso racismo velado de cada dia, bem brasileiro, de alisamentos no cabelo, opressão policial e profissões subjugadas. Quando me descobri negra fala com sutileza e firmeza de um processo de descoberta inicialmente doloroso e depois libertador. Bianca Santana, através da experiência de si, consegue desvelar um processo contínuo de rompimento de imposições sobre a negritude, de desconstrução de muros colocados à força que impedem um olhar positivo sobre si. Caminhos que aos poucos revelam novas camadas, de um ser resinificado. Considero este livro um presente, é algo para se ter sempre às mãos e ir sendo revisitado. Bianca, ao falar de si, fala de nós.”
– Djamila Ribeiro colunista da Carta Capital, pesquisadora na área de filosofia política e feminista.
– Djamila Ribeiro colunista da Carta Capital, pesquisadora na área de filosofia política e feminista.
quinta-feira, 27 de julho de 2017
A história da menstruação - Disney
A Walt Disney Company não fez somente desenhos infantis. Durante a II Guerra Mundial, com a forte queda das bilheterias, a empresa tratou de produzir filmes comerciais como o desenho animado educativo que explica a menstruação. “A história da menstruação” é um filme de animação de 10 minutos, produzido pela Disney, em 1946, para a companhia Cello-Cotton International (empresa Kimberly-Clark). Narrado pela atriz Gloria Blondell, o filme explica a menstruação, começando pela função da glândula pituitária, situada na base do cérebro, no crescimento e na maturação dos ovários entre os 11 e 17 anos.
Sinopse do filme “A história da Menstruação”
A narradora prossegue refutando os tabus que proibiam banhos e exercícios durante a menstruação. “Não há nada de estranho ou misterioso sobre menstruação”, ela avisa e informa que as mulheres podem exercer atividades como tomar banho, montar a cavalo e dançar durante a menstruação. Alerta também contra o que hoje chamamos de TPM (tensão pré-menstrual), aconselhando: “Não deixe que a menstruação lhe derrube. Afinal de contas, não importa como você se sente, você tem que conviver com as pessoas e com você mesma, também. E se você parar de sentir pena de si mesma e aceitar naturalmente esses dias, você vai descobrir que é fácil manter-se sorrindo, mesmo que moderadamente. Além disso: não se descuide: atenção à postura e evite se resfriar”. Aconselha ainda as garotas a registrarem, em um calendário, o número de dias entre os períodos menstruais. E informa que uma boa postura, alimentos saudáveis e atitudes positivas podem afetar a menstruação.
A divulgação
Exibido nas escolas de Ensino Médio durante as aulas de Saúde, foi o primeiro filme a usar a palavra “vagina” em seu roteiro. Mas a ênfase se limitava à higiene pessoal e nada dizia sobre sexualidade nem reprodução. O fluxo menstrual foi representado como neve branca em vez de sangue (também nos nossos dias, o fluxo menstrual mostrado nas propagandas não é representado em vermelho, mas aparece na cor azul). Professores e estudantes recebiam um folheto de 20 páginas chamado Very Personally que continha publicidade da Kotex, marca de produtos de higiene feminina cujo mercado era então dominado pela Tampax, absorvente descartável produzido pela Procter & Gamble. Página do folheto “Very Personally”. Página do folheto “Very Personally”.
A produção do filme “A história da Menstruação”
O filme era parte de uma série que a Disney produziu para as escolas americanas entre 1945 e 1951 e que, até a década de 1960, foi mostrado para cerca de 105 milhões de estudantes americanas. O ginecologista Mason Hohn foi contratado como consultor para assegurar que o filme apresentasse informações cientificamente precisas aumentando a probabilidade de que médicos, professores e diretores de escolas autorizassem sua exibição. O filme “A história da menstruação” foi criado em uma época que os estúdios Walt Disney enfrentavam sérios prejuízos financeiros. Com a Europa mergulhada na II Guerra Mundial, a Disney perdeu uma fonte significativa de receitas. A animação Fantasia (1940), hoje um clássico consagrado, fora um grande fracasso comercial. Buscando fundos, a Disney começou a criar filmes comerciais como The Right Spark Plug in the Right Place para a Electric Auto-Lite Company e The ABC of Hand Tools para a General Motors.
E antes do absorvente, como fazíamos?
O absorvente divulgado no filme surgira havia poucas décadas. Até então, as mulheres usavam as chamadas “toalhinhas higiênicas” em seu período de menstruação, feitas de algodão felpudo, um costume que vinha desde da Idade Média. Eram reutilizáveis, isto é, a cada uso, deviam ser lavadas antes do sangue secar, evitando ficarem manchadas. Antes das toalhinhas higiênicas, os métodos para conter o fluxo da menstruação variaram: rolinhos de grama (algumas tribos da África), rolinhos de papiro (Egito Antigo), pequenos chumaços de algodão (Roma Antiga), retalhos de tecido com ribas de madeira (Grécia), fibras vegetais (Indonésia) etc.
A invenção
O absorvente descartável é uma invenção da I Guerra Mundial (1914-1918). Enfermeiras americanas começaram a utilizar as tradicionais ataduras – aquelas para fazer curativo – para conter seu fluxo da menstruação como alternativa às toalhinhas de algodão. Com o fim da guerra, a fabricante de ataduras Kimberly-Clark patenteou a ideia e, por volta de 1930, passou a vender o produto para civis. Os absorventes Kotex produzidos pela Kimberly-Clark eram presos com alfinetes, cintas ou tinham o formato de uma calcinha. Mas não foi fácil vencer a resistência das famílias conservadoras americanas. O panfleto educativo feito para ajudar as mães a explicar às filhas o que era o fluxo menstrual chegou a ser banido de vários estados norte-americanos. Até que a empresa encontrou nos estúdios Disney um forte aliado para seu marketing. A partir daí a ideia emplacou e se difundiu.
No Brasil
A marca Modess fabricada pela multinacional Johnson & Johnson, foi a primeira linha de absorventes descartáveis a ser fabricada no Brasil, em 1945. Mas o mercado era limitado, poucas mulheres adotaram a novidade. Até a década de 1960, as toalhinhas higiênicas para o período da menstruação, ainda eram vendidas nas lojas de artigos femininos. Para conquistar a confiança da consumidora brasileira, a empresa criou uma conselheira feminina, Anita Galvão, que respondia a milhares de cartas de mulheres que, em sigilo, pediam conselhos íntimos e orientações sobre questões sexuais. A marca Modess acabou virando sinônimo de absorvente íntimo feminino.
O oficial japonês que nunca se rendeu
Hiroo Onoda nasceu em Kainan, Japão, em 19 de março de 1922, em uma família samurai (classe guerreira). Aos 18 anos, alistou-se na infantaria do exército japonês. Enviado para a Escola Nakano, o principal centro de treinamento para inteligência militar e guerra não convencional, Onoda tornou-se um oficial da inteligência do Exército Imperial japonês. Em 26 de dezembro de 1944, ele foi enviado para a Ilha Lubang nas Filipinas para se juntar à Brigada Sugi. O local fica a apenas 120 km a sudoeste da capital, em Manila. A missão do tenente Onoda, descrita em nota pelo major Yoshimi Taniguchi, era a de se manter vivo. Um trecho da nota, em uma tradução livre, dizia que “Isso pode levar três, cinco anos, mas aconteça o que acontecer, nós vamos voltar até você”. A missão de Onoda era dificultar os ataques dos americanos à ilha através de operações de sabotagem e guerrilha, inclusive destruir o campo de pouso e o cais no porto. Suas ordens também enfatizavam que ele, sob nenhuma circunstância, deveria se render ou suicidar-se. Quando a ilha foi recuperada pelos aliados, em 28 de fevereiro de 1945, a maioria das tropas japonesas morreu ou foi capturada pelas forças americanas. Onoda e outros homens, porém, esconderam-se na selva densa e continuaram sua campanha contra o inimigo. Em 02 de setembro de 1945, com a rendição do Japão, os americanos trataram de avisar o fim da guerra aos milhares de soldados japoneses espalhados por todo Pacífico. Para isso, aviões lançaram folhetos informando o fato. O general japonês Tomoyuki Yamashita, do 14º Exército da Área, emitiu um pedido de rendição que também foi produzido em massa e lançado dos céus. Onoda e seus homens não acreditaram. Estavam convencidos de que era uma estratagema para levá-los a se renderem, o que nunca fariam. Onoda e outros três soldados continuaram vivendo nas montanhas cumprindo a missão que receberam: sabotagem e guerrilha. Sobreviveram roubando arroz e bananas de moradores locais e abatendo vacas para obter carne. Isso provocou uma série de confrontos com a polícia e civis, na sua maioria agricultores. À medida que o número de mortos aumentava, a caçada ao japonês se intensificou. Para os soldados japoneses escondidos na selva era prova de que a guerra continuava sendo travada. Um deles, contudo, acabou se rendendo às forças Filipinas em 1949. Desesperado para detê-los, o governo japonês enviou mais panfletos em 1952. Desta vez com fotos e mensagens de suas famílias. Onoda novamente concluiu que era outro truque. Os confrontos continuaram e dois soldados foram mortos em escaramuças com as forças locais, em 1954 e em 1972, deixando Onoda sozinho nas montanhas. Em 1960, Onoda foi declarado legalmente morto no Japão. Hiroo Onoda volta ao mundo Foi Norio Suzuki, um jovem explorador e aventureiro japonês, que conseguiu chegar até o tenente Hiroo Onoda. Ele tinha por objetivo “achar Onoda, ver um panda e descobrir o Abominável Home das Neves”, nessa ordem. Em 20 de fevereiro de 1974, Suzuki realizou seu primeiro desejo: encontrou Onoda que usava um uniforme militar esfarrapado na ilha Lubang, nas Filipinas. O oficial japonês estava prestes a atirar em Suzuki à queima roupa, mas o jovem rapidamente lhe disse: “Onoda-san, o imperador e o povo do Japão estão preocupados com você”. Onoda abaixou a arma e aceitou ouvir Suzuki. Desconfiado, Onoda impôs uma condição para baixar armas: receber ordens diretamente de seu oficial superior, o Major Yoshimi Taniguchi. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com fotografias de si mesmo e de Onoda como prova de seu encontro.
O governo japonês encontrou o Major Yoshimi Taniguchi, que havia se tornado um livreiro, e o enviou a Lubang cumprindo, assim, a promessa de que o buscariam, houvesse o que houvesse. O major informou a Onoda da derrota do Japão na II Guerra e lhe ordenou depor armas, dispensando-o de todas as obrigações militares. O tenente Onoda foi, assim, devidamente isentado do dever e, portanto, jamais se rendeu. Saiu da selva 29 anos após o fim da II Guerra Mundial vestindo seu uniforme e espada, portando seu rifle Arisaka 99, ainda em condições operacionais, e com 500 cartuchos de munição e diversas granadas de mão, bem como a adaga que sua mãe havia lhe dado em 1944 para proteção. Embora tivesse matado aproximadamente trinta filipinos locais e realizado diversos tiroteios com a polícia, as circunstâncias destes eventos foram levadas em consideração da situação, e Onoda recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos. Onoda se mudou para o Brasil, onde se tornou um fazendeiro de gado em uma colônia agrícola em Terenos, Mato Grosso do Sul. Publicou uma autobiografia, No surrender: my thirty-year war (no Brasil, publicado com o título “Sem rendição”), detalhando sua vida como um combatente de guerrilha em uma guerra há muito tempo terminada. Revisitou a Ilha de Lubang em 1996, doando 10.000 dólares para a escola local. Casou-se com uma japonesa e voltou para o Japão, para administrar um acampamento para crianças, mas voltava com regularidade ao Brasil. Faleceu em 17 de janeiro de 2014, em Tóquio, aos 91 anos de idade. Quanto ao aventureiro Norio Suzuki, ele realizou seu segundo desejo: encontrar um panda selvagem. Afirmou ter descoberto um yeti, o Abominável Homem das Neves, nas montanhas Dhaulagiri, no Himalaia, Nepal, em julho de 1975. Mas como o teria visto distante, retornou à sua missão. Acabou morrendo em uma avalanche enquanto procurava o yeti, em novembro de 1986, aos 37 anos de idade. Seus restos foram descobertos um ano depois e retornaram à sua família.
Hiroo Onoda, depois de entregar suas amas, é conduzido de volta ao Japão, em 1974
Hiroo Onoda (à direita), oferece sua espada militar ao presidente filipino Ferdinand Marcos (à esquerda), no dia da sua rendição, em 11 de março de 1974.
terça-feira, 18 de julho de 2017
John Brown Abolicionis
O primeiro terrorista doméstico dos EUA.
Abolicionista convicto, ao longo da década de 1850, defendeu e praticou ações armadas com o objetivo de abolir a escravidão nos Estados Unidos da América. Liderou, em 1856, o Massacre de Pottawatomie, no Kansas. Na ação, cinco pessoas foram mortas. Sua fama veio, principalmente, em função da fracassada ação no ataque ao arsenal de Harpers Ferry, quando acabou preso. O ataque ocorreu em 1859. Brown foi julgado e condenado à morte por enforcamento. Ao longo do julgamento, seus discursos ganharam projeção nacional. Brown foi chamado, entre outras alcunhas, de “o mais controverso norte-americano do século XIX” e “o primeiro terrorista doméstico dos EUA”.
Brown tentou iniciar, em 1859, um movimento de libertação entre os escravos de Harpers Ferry, uma cidade da Virgínia Ocidental. Com ajuda de alguns colegas(inclusive Clara Barton.) sua ação colocou o país em polvorosa. O abolicionista acabou preso e julgado por traição ao Estado da Virgínia, pela morte de cinco sulistas defensores da escravidão e por incitar uma rebelião de escravos. Brown foi declarado culpado de todos os crimes e enforcado. Sulistas alegaram que o tipo de movimento liderado por Brown era apenas a ponta do iceberg representado pelas ideias abolicionistas do Partido Republicano. Historiadores afirmam que o conflito em Harpers Ferry precipitou as tensões que, em seguida, levariam àsecessão norte-americana e à guerra civil ocorrida nos Estados Unidos entre 1861 e 1865.
Brown inicialmente obteve certa projeção quando liderou um grupo de voluntários durante o episódio conhecido como Kansas Sangrento, ocorrido em meados dos anos 1850. O acontecimento foi marcado por violentos confrontos entre antiescravagistas e partidários da escravidão. Diferentemente de outros nortistas que defendiam uma resistência pacífica à escravidão, Brown apoiava ações violentas em resposta às agressões escravagistas do Sul dos EUA. Insatisfeito com o pacifismo pretendido pelo movimento abolicionista organizado, ele supostamente teria dito que “Estes homens estão todos falando. Nós precisamos de ação – ação!” Durante sua campanha no Kansas, Brown e seus homens assassinaram cinco escravagistas do Sul, no que ficou conhecido como o “Massacre de Pottawatomie”, em maio de 1856. Em 1859, ele liderou um ataque ao depósito federal de armas de Harpers Ferry. Durante o ataque, tomou o depósito; sete pessoas foram mortas e 10 ou mais ficaram feridas. Brown pretendia espalhar entre os escravos as armas obtidas no arsenal militar, mas seu plano falhou. Ao longo de 36 horas, seus homens fugiram, foram mortos ou capturados por escravagistas armados, milicianos e marines comandados por Robert Lee. A captura de Brown chamou a atenção da população norte-americana, basicamente em função do medo dos sulistas de que aquele fosse apenas o primeiro de muitos planos nortistas para acabar com a escravidão e ameaçar as próprias vidas dos habitantes daqueles estados. Ao longo do período, no entanto, os Republicanos do norte reafirmaram que esta ideia estava equivocada e que não haveria interferência no sistema escravista do sul dos EUA.
Historiadores concordam que John Brown desempenhou um importante papel no início da Guerra Civil norte-americana. Davis Potter (1976) afirmou que o efeito emocional dos ataques de Brown foi ainda maior que o impacto filosófico dos Debates_Lincoln–Douglas, revelando uma profunda divisão entre o Norte e o Sul dos EUAAbolicionista. As ações e táticas de Brown, anteriores à Guerra, fizeram dele uma figura controversa. Eventualmente, é visto por ângulos distintos, à luz da história: ora como um mártir heroico da liberdade, ora como um vilão, desequilibrado e terrorista. Alguns escritores, como Bruce Olds, definem-no como um fanático obcecado, enquanto outros, como Stephen B. Oates, enxergam em Brown “um dos mais perceptivos seres humanos de sua geração”. Davis S. Reynolds, por sua vez, considera-o como “o homem que acabou com a escravidão, acendeu a fagulha da Guerra Civil e plantou a semente dos direitos civis”. Richard Owen Boyer enfatizou que Brown “deu a sua vida para que milhões de outros norte-americanos pudessem ter liberdade”. Para Ken Chowder, ele “em certo período, foi um grande homem”, mas, também, foi “o pai do terrorismo nos EUA”. A música “John Brown’s Body” tornou-se um hino durante a Guerra Civil Norte-americana.
Guia Anarquista do Natal
Na cultura russa, São Nicolau é reverenciado como um defensor dos oprimidos, dos fracos e dos desamparados; Kropotkin partilhava destes sentimentos, mas havia também uma ligação familiar.
Não é surpresa alguma descobrir que Kropotkin se interessava pelo Natal. Na cultura russa, São Nicolau (Николай Чудотворец) é reverenciado como um defensor dos oprimidos, dos fracos e dos desamparados; Kropotkin partilhava destes sentimentos, mas havia também uma ligação familiar. Como todos sabem, Kropotkin localizava seus antecessores na linha da antiga dinastia Rurik que dominou a Rússia antes dos “novos-ricos” Romanovs e que, a partir do primeiro século da era atual, controlou as rotas comerciais entre Moscou e o Império Bizantino. O ramo da família de Nicolau foi enviado para patrulhar o Mar Negro. Mas Nicolau era um homem espiritualizado, que buscou uma saída da pirataria e do banditismo que fizeram a fama de sua família viking russa. Então, estabeleceu-se com um novo nome nas terras meridionais do império, hoje a Grécia, e decidiu usar a fortuna acumulada em sua vida de crimes para aliviar o sofrimento dos pobres.
Fontes arquivísticas inéditas recentemente descobertas em Moscou revelam que Kropotkin era fascinado por este laço familiar e pela surpreendente similaridade física entre ele e a figura do Papai Noel, popularizada pela publicação, em 1823, de “Uma visita de São Nicolau” (mais conhecido como “A noite anterior ao Natal”[2]). Kropotkin não era tão corpulento quanto Papai Noel, mas, com uma almofada a rechear sua túnica, sentiu que ficava passável. Seu amigo Elisée Reclus aconselhou-o a tirar o ornamento de pele da roupa. Foi uma boa ideia, pois também lhe permitiria usar um pouco mais de preto com o vermelho. Ele havia decidido também seguir o conselho de Elisée sobre as renas, e usar um trenó de tração humana. Kropotkin não costumava se fantasiar, mas o uso da semelhança para divulgação da mensagem anarquista seria uma excelente propaganda pelo fato. Antecipando “V”, Kropotkin pensou que todos poderíamos agir como São Nicolau. Na margem de uma página, Kropotkin escreveu: “Infiltrem-se nas lojas, distribuam os brinquedos!”
Vestígios desbotados no verso de um cartão postal dizem:
Na véspera do Natal, vamos todos passear
Enquanto dormem, nosso poder vamos mostrar
Porque é justo, as lojas vamos expropriar
E distribuir tudo, tudo para quem mais precisar
Suas notas sobre este projeto revelam também vislumbres valiosos sobre suas ideias a respeito dos traços anarquistas do Natal e de seu pensamento sobre os modos pelos quais os rituais natalinos vitorianos deveriam ser adaptados.
“Todos sabemos”, escreveu, “que as grandes lojas – John Lewis, Harrods e Selfridges – estão começando a explorar o potencial de vendas do natal, criando cavernas mágicas, grutas e fantásticos reinos de fadas para atrair nossas crianças e pressionar-nos a comprar presentes que não queremos e pelos quais não podemos pagar”. “Se você é um de nós”, continuou, “verá que a mágica do Natal depende do sistema de produção do Papai Noel, não das tentativas das lojas de seduzi-lo ao consumo de inúteis bens de luxo”. Kropotkin descreveu as vastas oficinas do Polo Norte, onde elfos trabalhavam o ano inteiro alegremente, porque sabiam que estavam produzindo para o prazer de outras pessoas. Notando que estas oficinas eram estritamente sem fins lucrativos, baseadas em mão-de-obra artesanal e geridas em modelo comunal, Kropotkin tratou-as como protótipos para as fábricas do futuro (delineadas em “Campos, fábricas e oficinas”). Algumas pessoas, ele sentia, pensavam que o sonho do Papai Noel, de ver que todos haviam recebido presentes no dia do Natal, era quixotesco. Mas ele poderia ser realizado. De fato, a extensão das oficinas – cuja localização no Ártico tornava difíceis de manter – facilitaria a generalização da produção pautada pelas necessidades e a transformação da troca ocasional de presentes em partilha regular. “Precisamos dizer às pessoas”, Kropotkin escreveu, “que oficinas comunais podem ser estabelecidas em qualquer lugar, e que podemos combinar nossos recursos para assegurar que todos tenham suas necessidades satisfeitas”!
Uma das questões que mais incomodou Kropotkin sobre o Natal dizia respeito ao modo pelo qual o papel inspirador que São Nicolau desempenhara na conjuração dos mitos natalinos havia confundido a ética do Natal. Nicolau fora erroneamente representado como um homem caridoso e benevolente: pio, porque beneficente. Absorvidas na figura do Papai Noel, as motivações de Nicolau para as doações haviam sido ainda mais enviesadas pela fixação vitoriana por crianças. Kropotkin realmente não entendera as ligações, mas sentia que refletiam uma tentativa de moralizar a infância através de um conceito de pureza simbolizado pelo nascimento de Jesus. Naturalmente, ele não poderia imaginar a criação do Grande Irmão Papai Noel, que sabe quando as crianças estão acordadas ou adormecidas e chega à cidade aparentemente sabendo quais entre elas ousaram chorar ou fazer birra. Mas, cedo ou tarde, alertava, esta ideia da pureza seria usada para distinguir crianças más e boas, e só aquelas do primeiro grupo seriam recompensadas com presentes.
Qualquer que fosse o caso, era importante recuperar desta baboseira confusa tanto o princípio da compaixão de Nicolau quanto as origens folclóricas de São Nicolau. Nicolau deu porque era torturado pela sua consciência das privações de outras pessoas. Ainda que não fosse um assassino (até onde Kropotkin soubesse), ele partilhava da mesma ética de Sofia Petrovskaya[3]. E ainda que fosse obviamente importante preocupar-se com o bem-estar das crianças, o princípio anarquista comandava levar em conta o sofrimento de todos. Similarmente, a prática da doação foi compreendida, erroneamente, como se necessitasse da implementação de um plano dirigido a partir de um centro, supervisionado por um administrador onisciente. Tudo isto estava errado: Papai Noel veio da imaginação do povo (considere-se apenas o número de nomes que Nicolau recebeu – Sinterklaas, Tomte, de Kerstman), e o espraiamento da alegria – através da festividade – era organizado de baixo para cima. Enterrado sob o Natal, argumentou Kropotkin, estava o princípio solidário do apoio mútuo.
Kropotkin apreciou o significado do ritual e o real valor que indivíduos e comunidades associavam ao carnaval, atos de lembrança e comemoração. Ele não queria abolir o Natal, nem tampouco queria vê-lo republicanizado através de alguma reorganização burocrática obstinada do calendário. Era importante, todavia, destacar a ética que o Natal apoiava a partir da singularidade de sua celebração. Dar uma festa era só isso; a extensão do princípio do apoio mútuo e da compaixão à vida cotidiana era outra coisa. Na sociedade capitalista, o Natal abria espaço para bons comportamentos. Enquanto era possível ser cristão uma vez ao ano, o anarquismo era para toda a vida.
Kropotkin entendeu que sua propaganda teria mais chance de sucesso se pudesse mostrar como a mensagem anarquista também estava inserida na cultura hegemônica. Suas notas revelam que ele inspirava-se particularmente em “Um conto de Natal”, de Dickens, para encontrar um veículo para suas ideias. É amplamente atribuído ao livro o crédito pela consolidação das ideias de amor, regozijo e boa-vontade no Natal. Kropotkin encontrou a genialidade do livro em sua estrutura. Que outra coisa seria a história do encontro de Scrooge com os espíritos dos natais passados, presentes e futuros além de um relato prefigurativo da mudança? Ao ver seu presente através de seu passado, Scrooge teve a chance de alterar seus modos miseráveis e remoldar tanto seu futuro quanto o futuro da família Cratchit. Mesmo que lembrado apenas uma vez ao ano, pensou Kropotkin, o livro de Dickens deu aos anarquistas um veículo perfeito para ensinar esta lição: ao alterar o que fazemos hoje, ao modelar nosso comportamento segundo o de Nicolau, podemos ajudar a construir um futuro que é como o Natal!
Notas
[1] Ruth Kinna é professora de Teoria Política na Universidade Loughborough, onde se especializou em filosofia política. Desde 2007 ela é editora do jornal Anarchist Studies. Ela é autora de “Anarchism – a Beginners Guide”, e de “William Morris: The Art of Socialism”.
[2] Poema do filólogo estadunidense Clement Clark Moore (1779-1863) publicado pela primeira vez, ainda anonimamente, em 1823, caracterizou pela primeira vez para o público dos EUA a figura do Papai Noel de modo muito próximo ao que conhecemos hoje (exceto pela cor da roupa e pelo cachimbo, em desuso). (N. do T.)
[3] Sofia Petrovskaya, ou Sophia Perovskaya (1853-1881), como se costuma escrever mais regularmente, foi uma enfermeira e professora. Em 1871, entrou para a Grande Sociedade de Propaganda (Bol’shoe obshhestvo propagandy), também conhecida como Círculos de Tchaikovsky (Tchaikovtsy), sociedade literária de divulgação de livros proibidos pela censura czarista onde conheceu Piotr Kropotkin. Em 1874, como resultado do “julgamento dos 193”, em que 193 estudantes envolvidos em atividades de educação junto a camponeses foram presos acusados de subversão, foi encarcerada na Fortaleza de Pedro e Paulo, tendo sido solta em 1878. O julgamento radicalizou uma geração inteira de estudantes, que passou do protesto pacífico à luta armada; Perovkaya seguiu o mesmo caminho ao entrar na organização Terra e Liberdade (Zemlya i Volya) em 1878, pouco após sua libertação. Subiu rápido na hierarquia da organização, e em 1879 participou de uma tentativa falha de explodir o trem imperial. Com o racha da Terra e Liberdade que adveio em agosto de 1879, rejeitou os métodos de propaganda e agitação do grupo Partição Negra (Chyornyi peredel) e alinhou-se com os defensores do terrorismo político agrupados na Vontade do Povo (Narodnaya Volya). Participou de três tentativas de assassinato do czar Alexandre II: uma em Moscou (nov. 1879), outra em Odessa (primavera de 1880) e a terceira, que finalmente matou o czar, em São Petersburgo (1º de março de 1881). Presa em 10 de março e condenada à morte, foi enforcada em 15 de abril de 1881. (N do T.)
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